Medo da dor do parto?

June 25, 2019

 

Muitas mulheres relatam que a dor é um de seus medos em relação ao parto e inclusive esse é o motivo pelo qual muitas desistem de tentar o parto normal. Não é para menos, afinal o parto normal vem sendo associado a sofrimento e complicações nas histórias que ouvimos da vizinha ou amiga e é quase sempre mostrado de forma apavorante em filmes e novelas. Mas não é bem assim... Vamos entender um pouco mais sobre essa famosa dor!

 

 A dor do parto faz parte da fisiologia do nascimento, não existe parto normal sem dor, e o primeiro passo para lidar melhor com ela é perceber que sentir essa dor não é o mesmo que sofrer, pois ela não está ligada com uma patologia e sim, com a chegada do bebê. Porém, temos relatos de algumas mulheres que consideram a pior dor sentida e, muitas vezes, superior ao que esperavam, e outras que relatam não ser tudo isso que contam. Então vamos tentar entender porque ela pode ser tão diferente de uma mulher para outra.

 

 Primeiramente, a dor é subjetiva e individual, cada pessoa tem um limiar de dor e a capacidade de cada uma para suportá-la varia segundo circustâncias biopsicosociais. Também devemos considerar que a dor sentida por cada mulher não está relacionada somente ao processo fisiológico, mas existem vários fatores que podem influenciar em sua percepção, como o medo, estresse, tensão, frio, fome, desamparo social e afetivo, e também o fato do desconhecido, de não saber o que está acontecendo naquele momento. Além disso, há também o aspecto fundamental do bom funcionamento dos hormônios do parto, pois o próprio corpo tem suas defesas para amenizar essa dor. A liberação desses hormônios ocorre de forma natural, mas é preciso dar ao corpo o contexto necessário para que eles sejam produzidos.

 

 Portanto, já deu para entender que a percepção da dor durante o processo do nascimento depende muito do tipo de assistência que cada mulher recebe. Então vamos seguir com as dicas para que você tenha um parto sem medo da dor!!

 

 - Informação: O primeiro grande passo para amenizar a dor é o saber! Saber como é o processo do parto e o que é esperado acontecer em cada fase, saber de onde vem essa dor, para assim poder aceitá-la como parte do processo do nascimento, pois a dor vem da contração uterina e da pressão que o bebê faz na pelve da mãe, e cada contração é uma a menos para a chegada do bebê. Vale lembrar também que a dor não é contínua, ela vem como ondas e tem intervalos para a mulher poder descansar, e quando ela não for mais suportável, podemos entrar com os métodos farmacológicos como a analgesia. Ter consciência do seu corpo e saber como poderá ajudá-lo no alívio da dor também é fundamental. Tudo isso ajudará a gestante a ter confiança necessária para superar os medos e encarar o parto de forma positiva. Quanto mais segura a mulher se sentir, mais ela conseguirá aceitar e lidar melhor com a DOR!

 

 - Suporte físico e emocional: Nesse quesito entram todas as pessoas envolvidas com a mulher durante a gestação e no parto. Quem vai dar esse suporte?? O pai ou acompanhante, a família, o obstetra e toda a equipe de parto, e profissionais que acompanham a mulher nessa fase, como nós, fisioterapeutas. Logo já temos uma noção do quão importante é a escolha desses profissionais. Serão responsáveis por dar conforto físico (como massagem e ajuda nos posicionamentos) e também emocional (como encorajar, tranquilizar e estimular), além de guiar a mulher na busca de orientações e informações que já foram citadas no tópico anterior. Estudos comprovam que a presença de uma pessoa que acompanhe o trabalho de parto, dando esse suporte a mulher, foi relacionada com a redução da taxa de cesariana, seguida pela redução do uso de ocitocina, menor duração do trabalho de parto, menor necessidade de analgesia/medicamentos para alívio da dor e aumento da satisfação materna com o parto.

 

 - Ambiente favorável: Uma das condições essenciais para que ocorra o conforto, e com isso, o alívio da dor, é criar uma atmosfera calma e livre de incômodos, proporcionando um ambiente favorável e acolhedor, com iluminação reduzida, controle da temperatura, acesso à água quente em chuveiro ou banheira e espaço para movimentação. 

 

 - Métodos não farmacológicos: Depois de cuidar para que tudo que possa aumentar a percepção da dor não ocorra no seu trabalho de parto, temos ainda métodos que buscam o alívio da dor fisiológica, essa dor que imaginamos ser impossível de reduzir sem anestesia, pode sim ser aliviada. Levando em consideração que a dor é causada pela contração uterina e pela pressão que o bebê exerce na estrutura da pelve nesse momento, realizando assim o seu processo de descida até o nascimento, sabemos então que se conseguirmos ajudar nessa fase, podemos aliviar a dor. Aqui entra a importância da movimentação e da mudança de posição materna durante o trabalho de parto. Estudos apontam que a posição vertical e a movimentação materna durante o trabalho de parto podem diminuir a dor na região lombar, facilitar a circulação materno-fetal, aumentar a intensidade das contrações uterinas diminuindo a duração do trabalho de parto, favorecer o encaixe e a descida do bebê, diminuindo também as taxas de trauma perineal e episiotomia. Quando abrimos espaço para o bebê descer, conseguimos aliviar a dor da pressão que ele faz contra a pelve e diminuir também o tempo de duração do trabalho de parto, ou seja, menos tempo sentindo dor. 

 

Além disso, vários recursos podem ser utilizados como a água quente (chuveiro, banheira ou compressas), massagem, técnicas de respiração, técnicas de relaxamento, cromoterapia, aromaterapia, acupuntura, uso do TENS (corrente elétrica aplicada a pele com finalidade analgésica), dentre outros. 

 

 O grande segredo está no apoio que ela irá receber e não somente em técnicas medicamentosas: olhar para cada mulher de forma individualizada e respeitá-la é a chave para um parto com menor sensação de dor. Cada mulher deve buscar o que te traz mais conforto, lembrando que ela é a protagonista do seu parto!!

Fique de olho no nosso feed que logo postaremos mais dicas sobre esses recursos para aliviar a dor do parto!! 

 

 

Texto:

Lara Nery Peixoto

Fisioterapeuta Especialista da Athali Fisioterapia 

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