A bolsa estourou, e agora?

June 28, 2017

Durante a vida no útero, o bebê se desenvolve dentro da bolsa amniótica, cheia de líquido amniótico que o protege contra infecções, traumatismos e lhe fornece espaço para se movimentar e crescer. Em filmes e novelas, estamos acostumados a ver a cena da mulher que, ao sentir o estouro súbito da bolsa, corre para a maternidade.

Contudo, na maioria dos casos, a bolsa d’água só se rompe no hospital, durante o trabalho de parto. “Em apenas cerca de 15% dos partos, as membranas se rompem antes do trabalho de parto, que em geral começa com as contrações”, esclarece a ginecologista e obstetra Ursula Trovato Gomez, assistente da divisão de Obstetrícia do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital das Clínicas (HC-FMUSP)

Durante o trabalho de parto, a bolsa se rompe pelo aumento da pressão intrauterina resultante das contrações ou, até mesmo, pela força de expulsão realizada pela mulher.

O que fazer

Quando a bolsa se rompe antes do início do trabalho não há necessidade de correria ou apreensão. “A grávida deve ficar tranquila e avisar seu obstetra, que deverá passar todas as orientações. Na maioria das vezes, há tempo de tomar banho, aguardar o acompanhante e preparar tudo com calma”, indica a médica Ursula.

O trabalho de parto pode acontecer naturalmente em até 48 horas após o rompimento da bolsa. No Brasil, porém, o parto costuma ser realizado em até 24 horas após, devido ao risco de infecção.

“A mulher só deve se dirigir imediatamente ao hospital, quando o líquido, de cor transparente, está amarelado ou esverdeado. Nessa condição, o atendimento deve ser imediato”, recomenda a fisioterapeuta Alessandra Sônego, fisioterapeuta especializada em Saúde da Mulher pela Universidade de São Paulo (USP).

 

A bolsa estourou ou não?

“Em geral, a saída de líquido amniótico tem coloração transparente e ocorre em grande quantidade, escorrendo pelas pernas e até molhando o chão e, além disso, não há como controlar. O cheiro do líquido também é bastante particular. Algumas pessoas o descrevem como cheiro de amoníaco ou cândida”, explica a obstetra Ursula.

Muitas gestantes também relatam ouvir um barulho parecido com o de uma bexiga estourando. No entanto, a mulher pode se confundir com outros sintomas característicos dessa fase. Um deles é o tampão mucoso, uma secreção produzida no colo do útero, que sai pelo canal vaginal quando o parto está próximo. Diferente do líquido amniótico, ele é mais espesso, pode ser transparente ou mais amarelado, e também vir acompanhado de sangue.

Outro sintoma que também confunde muitas grávidas é a perda de urina involuntária, que deixa a calcinha úmida, assim como suor e secreções vaginais.

 
Rompimento antes da hora

“Embora não seja comum, o rompimento precoce da bolsa, antes da 37ª semana de gestação, pode acontecer em casos de trabalho de parto prematuro, infecção do útero ou das membranas e distensão exagerada do útero por conta do tamanho grande do bebê. Mães tabagistas também têm maior chance de rotura prematura das membranas. No caso de rompimento precoce, o obstetra vai analisar caso a caso a necessi